Gastroplastia redutora: tudo o que você precisa saber sobre

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Mulher triste por estar acima do peso - site Dr. Luiz Gustavo Oliveira, cirurgião geral e bariátrico Rio de Janeiro

A gastroplastia redutora, também chamada de cirurgia bariátrica, é o principal tratamento para os quadros mais graves da obesidade, que é classificada como uma doença pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Esse procedimento é capaz de controlar diversos problemas oriundos da obesidade, como diabetes tipo 2, apneia do sono, hipertensão arterial, aumento do colesterol, entre outros.

O paciente operado recupera sua qualidade de vida, pois a perda do excesso de peso contribui para que ele se movimente melhor, pratique exercícios físicos e se sinta mais confiante e com autoestima elevada. Isso tudo melhora as relações sociais e a vida sexual, além de ajudar a reduzir a depressão e a ansiedade.

Porém, há inúmeros detalhes que precisam ser conhecidos por quem busca esse tipo de tratamento, por isso, elaboramos este artigo. Aqui, você vai descobrir quem pode se submeter ao procedimento, quais as principais técnicas e tipos e os passos fundamentais da jornada pré-operatória. Acompanhe a seguir.

O que é gastroplastia redutora?

A gastroplastia redutora é um procedimento cirúrgico para o tratamento da obesidade, em que são feitas alterações no trato gastrointestinal, podendo atingir tanto o estômago quanto o intestino delgado. Assim, há uma limitação na quantidade de alimentos que pode ser ingerida e uma redução na sua absorção, o que leva o paciente a perder peso.

Existem diferentes técnicas e tipos de cirurgias de redução de estômago, nome popular da gastroplastia, e a melhor para cada caso será definida de acordo com a avaliação médica. 

Alguns procedimentos focam na retirada ou inutilização de grande parte do estômago, enquanto outros também fazem grandes desvios no intestino delgado.

Avaliação para realizar a bariátrica - site Dr. Luiz Gustavo Oliveira, cirurgião geral e bariátrico Rio de Janeiro

Quem pode fazer uma gastroplastia redutora? 

Não são todos os pacientes acima do peso que podem fazer uma gastroplastia redutora. Para ser considerado apto ao procedimento, é necessário que o indivíduo se enquadre em uma das faixas de Índice de Massa Corporal (IMC) relacionadas abaixo, além de estar com o grau estável por pelo menos 2 anos, segundo o que foi definido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM):

  • Estar com o IMC superior a 40 kg/m². Esse quadro é considerado como obesidade mórbida e não é exigido que o paciente apresente outras enfermidades associadas à condição.
  • Estar com o  IMC entre 35 Kg/m² e 40 Kg/m². Nesse caso, é preciso possuir alguma comorbidade, como hipertensão arterial, diabetes tipo 2 e apneia do sono.
  • Já os pacientes que têm IMC entre 30 Kg/m² e 35 Kg/m² podem se submeter à cirurgia metabólica, que é similar à gastroplastia, mas seu foco principal é a remissão de doenças relacionadas à obesidade, como o diabetes tipo 2.

Além de se encaixar em um desses requisitos, é importante que o paciente fique atento a outros pontos. Por exemplo, é necessário ter 18 anos ou mais. Caso o paciente tenha entre 16 e 18 anos, será necessária uma avaliação específica e autorização. E não há limite máximo de idade para a intervenção.

Por fim, a cirurgia é uma solução apresentada como último recurso. Desse modo, o paciente deve ter tentado outros tratamentos antes de se candidatar, como reeducação alimentar, prática regular de exercícios físicos e uso de medicamentos que ajudam a controlar o peso. 

Qual é o peso mínimo para fazer a gastroplastia redutora?

Como destacamos acima, o peso em si não é o único fator determinante para classificar o paciente para uma gastroplastia redutora. Isso porque deve ser feito o cálculo do IMC, que considera os seguintes dados: peso, altura e idade.

Além disso, o gastrocirurgião irá avaliar a composição corporal do paciente, para saber quais são os seus níveis de gordura. Considere, por exemplo, um homem de 1,80 m de altura que pesa 140 kg. Ao fazer o cálculo do IMC, teremos o valor de 43,2 kg/m2, o que o classificaria para o procedimento, principalmente, se os seus níveis de gordura estiverem elevados.

Qual é o valor de uma bariátrica?

O valor de uma cirurgia bariátrica varia de 25 a 50 mil reais. É essencial entender que diversos fatores podem influenciar no preço, como técnica utilizada, gravidade do caso, a região do Brasil e o hospital em que o procedimento será realizado. 

Felizmente, essa cirurgia é de cobertura obrigatória pelos planos de saúde, com um período de carência de 24 meses para enfermidades pré-existentes. 

Vale lembrar que esse tipo de tratamento cirúrgico também é executado gratuitamente pelo SUS, mas o processo é lento e o paciente pode ter que esperar por anos até conseguir uma vaga.

Quem faz gastroplastia redutora tem vida normal?

O paciente submetido a uma gastroplastia redutora pode levar uma vida totalmente normal. No primeiro ano após o procedimento, a perda de peso é mais acentuada.

Entretanto, durante o segundo ano, o processo de emagrecimento se estabiliza e, desde que sejam seguidas todas as recomendações da equipe multidisciplinar, a pessoa pode trabalhar, estudar, ter relacionamentos e se alimentar tranquilamente.

Contudo, é fundamental lembrar que, para manter a saúde e os resultados do procedimento, o paciente precisa mudar seu estilo de vida e adotar uma dieta equilibrada e a prática de atividades físicas mesmo após atingir o peso desejado. 

Outro fator indispensável para um pós-operatório bem-sucedido é fazer uma suplementação vitamínica, com o objetivo de repor substâncias que passam a ser absorvidas em menor quantidade. 

Médicos realizando uma bariátrica - site Dr. Luiz Gustavo Oliveira, cirurgião geral e bariátrico Rio de Janeiro

Técnicas de cirurgias para emagrecer

De acordo com o tipo de alteração que será realizada no trato gastrointestinal, as cirurgias para emagrecer podem ser classificadas em três técnicas.

Restritivas

Nesses tipos de cirurgia, há uma redução na capacidade de ingerir alimentos com a retirada ou inutilização de parte do estômago. Então, ao comer menos, o paciente acaba emagrecendo. 

Existem procedimentos que são puramente restritivos e outros que também são metabólicos. Assim, além da menor capacidade de consumir alimentos, há uma indução à saciedade e a redução da fome. 

Alguns exemplos dessa técnica são a cirurgia sleeve, a banda gástrica vertical e a banda gástrica ajustável.

Cirurgia bariátrica disabsortiva

Na cirurgia bariátrica disabsortiva, há pouca alteração no tamanho do estômago, e o foco maior é o intestino delgado, onde é realizado um desvio. Essa mudança de fluxo ocorre para que o alimento permaneça por menos tempo na região e, consequentemente, haja menor absorção de calorias, o que acaba contribuindo para o emagrecimento.

Os procedimentos puramente disabsortivos caíram em desuso, então, atualmente, esse método conta com algum tipo de alteração no estômago. Alguns exemplos da técnica são a derivação biliopancreática e o switch duodenal.

Após esse tipo de cirurgia, é primordial que o paciente tenha um cuidado especial com a suplementação. 

Mistas

As intervenções mistas combinam características das técnicas restritivas e disabsortivas. Geralmente, há uma grande redução do estômago e alterações mínimas no intestino delgado para uma menor absorção dos alimentos. 

Essa é a técnica mais utilizada nos dias de hoje devido aos excelentes resultados apresentados em curto, médio e longo prazo. O principal exemplo é a cirurgia bypass.

Tipos de gastroplastia redutora

Há diversos tipos de gastroplastia redutora. Os métodos bypass e sleeve são os mais utilizados em virtude dos ótimos benefícios e baixos riscos de complicações.

No entanto, também é importante conhecer outras variações do procedimento. Abaixo, explicaremos os quatro tipos mais comuns.

Bypass gástrico

Na técnica bypass gástrico, o estômago é dividido em duas partes. A menor fica com cerca de 50 ml e recebe os alimentos. Ela é acoplada diretamente à parte do intestino denominada jejuno. 

Já a porção maior do estômago também permanece no corpo, sendo grampeada e ligada à região mais abaixo do jejuno. Dessa maneira, ela perde grande parte de sua função, pois deixa de receber alimentos, ficando apenas responsável por enviar pequenas quantidades de secreções digestivas para o intestino.

Portanto, é um método predominantemente restritivo, já que grande parte do emagrecimento é proveniente do estômago extremamente reduzido, mas também há uma pequena redução da absorção. Outro fator que favorece é o estímulo à produção de hormônios que induzem à saciedade.

Sleeve

Na gastroplastia do tipo sleeve, são retirados de 70% a 80% do estômago, e o restante é transformado em um tipo de tubo fino. Além de haver uma limitação física para a ingestão de alimentos, o procedimento reduz a fome ao controlar a produção do hormônio grelina.

Esse método está sendo amplamente empregado, pois não há qualquer alteração em relação ao intestino. Isso faz com que o organismo mantenha sua capacidade de absorver as mais variadas substâncias. 

Sobretudo, se houver qualquer problema com o procedimento, é possível alterá-lo para outros tipos de cirurgia bariátrica.

Duodenal switch

Nessa cirurgia, uma parte significativa do estômago é removida, contudo, o funcionamento básico do órgão não é alterado. Também ocorrem modificações no intestino delgado, sendo formado um tipo de alça em que dois caminhos distintos são criados: um deles leva os alimentos, e o outro transporta os sucos digestivos. 

Em razão da transformação, tais percursos só se encontram na parte final do intestino delgado, o que diminui a absorção de calorias e induz ao emagrecimento.

Além da grande perda de peso, outra vantagem dessa intervenção é que o reservatório gástrico pode ser acessado normalmente, caso haja a necessidade de fazer alguma investigação por endoscopia ou radiológica.

Banda gástrica

A banda gástrica representa somente 2% dos procedimentos bariátricos realizados no Brasil. Apesar disso, trata-se de um procedimento seguro que proporciona uma perda de 20% a 30% do peso inicial. 

Nessa técnica, um anel de silicone é preso na parte superior do estômago, o que causa um estreitamento e cria um pequeno reservatório. Então, esse reservatório é preenchido com muita facilidade e faz com que o paciente se sinta satisfeito e pare de comer. Além disso, não é necessário fazer alterações intestinais nem há qualquer prejuízo na absorção de alimentos. 

Outras vantagens desse método é que é totalmente reversível e o tamanho do reservatório criado no estômago pode ser ajustado de acordo com a avaliação médica. O dispositivo usado para inflar e esvaziar a banda gástrica é acoplado sob a pele no abdômen, visando facilitar o acesso. 

Caso seja necessário realizar outro tipo de gastroplastia, isso é possível após a retirada da banda gástrica. Vale lembrar que a perda de peso com esse método é inferior ao oferecido pelas técnicas bypass e sleeve. 

Jornada pré-operatória da gastroplastia redutora

Até chegar o momento da gastroplastia redutora em si, o paciente precisa se submeter a um longo processo pré-operatório, que visa garantir sua aptidão para o procedimento. Isso também minimiza os riscos da intervenção. 

Para isso, será necessário consultar-se com diversos profissionais, como podemos ver abaixo.

Cirurgião do aparelho digestivo

É o profissional que acompanha todo o processo. Na consulta inicial, é feita uma avaliação física do paciente, assim como uma checagem do seu histórico. A pessoa deve informar ao médico: quando começou a engordar, como são os seus hábitos alimentares, se já tentou tratamentos alternativos, se tem alguma doença etc.

Então, o cirurgião deve solicitar uma série de exames, como:

  • Endoscopia digestiva alta.
  • Raio-X Tórax PA e perfil.
  • Polissonografia.
  • Hemograma.
  • Ureia e creatinina.
  • Ácido úrico.
  • Ácido fólico.
  • Triglicérides.

Também é nessa fase inicial que o paciente deve assinar o “Consentimento Informado”, que é um documento em que ele declara estar ciente dos benefícios e dos riscos envolvidos.

Cardiologista no pré-operatório da gastroplastia redutora

O profissional deverá avaliar se o paciente está apto para a gastroplastia redutora do ponto de vista cardiológico. Para isso, ele pode solicitar uma série de exames, para analisar e emitir um laudo.

Endocrinologista

O endocrinologista deverá avaliar diversas questões hormonais, com a finalidade de garantir que não há qualquer contraindicação. Nessa etapa, o profissional pode pedir os exames que julgar necessários.

Posteriormente, o especialista deverá emitir um relatório descrevendo a condição clínica do paciente, incluindo sua variação de peso nos últimos meses.

Pneumologista

O profissional deverá avaliar, sobretudo, a radiografia do tórax, a prova de função pulmonar e a polissonografia, para identificar se há contraindicações no âmbito respiratório.

Equipe multidisciplinar - site Dr. Luiz Gustavo Oliveira, cirurgião geral e bariátrico Rio de Janeiro

Nutricionista, psicólogo e fisioterapeuta

Esses profissionais também são fundamentais na fase pré-operatória, pois devem orientar sobre a dieta adequada antes e depois do procedimento, ajudar a entender e resolver questões psicológicas que possam afetar o paciente.

Também são responsáveis pela orientação, adaptação e acompanhamento multidisciplinar dos resultados do cronograma de exercícios físicos executados antes e depois da intervenção.

Retorno ao cirurgião antes da gastroplastia redutora

Após a consulta com a equipe interdisciplinar, o paciente deverá retornar ao cirurgião portando os laudos de cada um dos profissionais, visando verificar se está liberado para fazer a gastroplastia redutora. Se tudo estiver de acordo, ele estará finalmente apto. 

Depois, o anestesista deverá utilizar as informações fornecidas pelos outros profissionais, para aplicar as medicações mais adequadas durante a intervenção.

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