Hérnia epigástrica: entenda como é a cirurgia

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Gastrocirurgiões fazendo cirurgia de hérnia epigástrica - site Dr. Luiz Gustavo Oliveira, cirurgião geral e gastrocirurgião

A hérnia epigástrica é uma condição abdominal que se manifesta na linha média, ou linha alba, entre o tórax e o umbigo. Assim, sua principal característica é a formação de uma protuberância, muitas vezes, percebida como um caroço ou bolsa no abdômen. Devido à proximidade com o umbigo, essa saliência é frequentemente confundida com a hérnia umbilical.

Embora muitos casos desse tipo de hérnia não apresentem sintomas além da protuberância visível, ela representa cerca de 10% das hérnias abdominais. Além disso, essa condição é mais comum em homens adultos. 

Ademais, aproximadamente 20% dos casos dessa hérnia podem ser múltiplos, aumentando a complexidade do diagnóstico e do tratamento prescrito pelo gastrocirurgião ou cirurgião do aparelho digestivo.

Quer saber mais? Leia o artigo na íntegra.

O que é hérnia epigástrica?

A hérnia epigástrica ocorre quando há o surgimento de uma abertura acima do umbigo, resultado do enfraquecimento da parede abdominal nessa região. Através desse orifício, tecidos, como gordura ou até mesmo partes do intestino grosso ou delgado, podem projetar-se, formando uma protuberância visível e desconfortável.

Apesar de ser, muitas vezes, assintomática, a condição pode causar dor abdominal ao realizar movimentos e esforços físicos ou ao levantar objetos pesados. Devido à sua localização, pode ser facilmente confundida com a hérnia umbilical.

Além disso, essa condição pode ser congênita ou desenvolvida ao longo da vida, sendo mais comum em pessoas entre 20 e 50 anos de idade, afetando três vezes mais homens do que mulheres.

Quais são o sintomas?

A hérnia abdominal citada manifesta-se, principalmente, por uma protuberância em forma de caroço ou saco na linha média do abdômen. Geralmente, essa condição não provoca outros sintomas, no entanto algumas pessoas podem sentir inchaço, dores e desconforto ao fazer esforços físicos ou até tossir.

Em casos mais graves, quando porções do intestino escapam pelo orifício muscular, pode ocorrer obstrução do órgão. Isso pode levar a outros sintomas, como:

– Prisão de ventre;

– Vômitos e diarreias frequentes;

– Dor intensa na região abdominal.

Por isso, é crucial procurar por um gastrocirurgião de confiança ou outro especialista imediatamente ao notar esses sinais, pois hérnias com estrangulamento intestinal requerem intervenção cirúrgica urgente.

Sendo assim, reconhecer esses sintomas e buscar tratamento imediato são medidas essenciais para prevenir possíveis complicações graves.

Paciente conversando com médico - site Dr. Luiz Gustavo Oliveira, cirurgião geral e gastrocirurgião

Afinal, quais as possíveis causas da hérnia epigástrica?

As causas do enfraquecimento dos músculos da parede abdominal, que resultam na hérnia epigástrica, podem ser tanto congênitas quanto adquiridas. Quando o enfraquecimento muscular está presente desde o nascimento, o problema geralmente aparece na idade adulta, embora possa surgir ainda na infância em alguns casos.

Por outro lado, essa condição pode ser adquirida ao longo da vida, sendo influenciada por diversos fatores de risco, como:

– Excesso de peso em razão da pressão da gordura abdominal sobre os músculos;

– Esforços excessivos decorrentes de trabalho pesado ou prática de esportes intensos;

– Contrações abdominais recorrentes desencadeadas por tosse persistente;

– Gravidez, uma vez que o afastamento dos músculos abdominais, para acomodar o crescimento do feto, pode não ser completamente revertido, facilitando o aparecimento da hérnia em questão;

– Ausência de atividade física, que pode enfraquecer gradualmente os músculos;

– Cirurgias abdominais com incisões que não cicatrizaram adequadamente.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da hérnia abdominal em questão é realizado por um médico especialista, preferencialmente um cirurgião do aparelho digestivo, gastrocirurgião ou cirurgião bariátrico. O processo inclui uma análise detalhada da história clínica do paciente, investigando o momento em que o problema apareceu.

Além disso, o especialista avalia a presença de outros sintomas e como a hérnia se comporta em situações específicas, por exemplo, durante a tosse.

Em seguida, é feito um exame físico para observar a protuberância. Muitas vezes, esse exame é suficiente para identificar a hérnia, mas, dependendo do caso, podem ser necessários exames complementares, como:

– Ultrassonografia;

– Radiografia;

– Ecografia abdominal. 

Dessa maneira, esses exames permitem investigar o grau de deslocamento dos tecidos abdominais e verificar se há partes do intestino envolvidas na hérnia.

Quando devo fazer a cirurgia da hérnia epigástrica?

Em muitos quadros, a hérnia epigástrica não apresenta sintomas. Contudo, se houver desconforto, a opção de tratamento aconselhada será a cirurgia. Esse procedimento pode ser minimamente invasivo, utilizando anestesia local, especialmente se a hérnia for pequena. Quando é necessário reconstruir e reinserir tecidos no abdômen, é aplicada a anestesia geral.

Para hérnias de grande volume, usualmente é inserida uma tela durante a intervenção cirúrgica. Essa tela fortalece a parede abdominal e ajuda a evitar o surgimento de novas hérnias no futuro. O procedimento também pode ser realizado por laparoscopia.

Então, existe cura para o problema?

Sim, a hernioplastia é o tratamento cirúrgico capaz de curar o problema. Essa cirurgia é considerada uma solução eficaz para eliminar a protuberância e aliviar os sintomas associados. 

Como se cura uma hérnia epigástrica?

O tratamento de hérnia epigástrica é cirúrgico. A cirurgia de hérnia epigástrica ou hernioplastia é recomendada pelo gastrocirurgião ou outro especialista para todos os casos em adultos que estão em condições de saúde adequadas para o procedimento.

Desse modo, é fundamental realizar uma série de exames pré-operatórios, como exames de sangue e avaliações cardiológicas, além de qualquer outra análise que o médico considere necessária.

Existem três tipos principais de cirurgia desse tipo de hérnia abdominal:

– Cirurgia aberta ou tradicionalexecutadaatravés de um corte na área onde está localizada a hérnia, podendo incluir a introdução de uma tela, com o objetivo de reforçar a musculatura da parede abdominal. Normalmente, é mais indicada para hérnias grandes e com maior gravidade.

– Cirurgia por videolaparoscopiatécnica minimamente invasiva, realizada por meio de três pequenas incisões pelas quais são inseridos os instrumentos cirúrgicos e uma câmera. Semelhante à cirurgia aberta, pode envolver a colocação de uma tela para reforço muscular. Assim, essa alternativa tem baixo risco de complicações e um período de recuperação mais rápido que a cirurgia tradicional.

– Cirurgia robótica: é similar à laparoscopia, mas o cirurgião do aparelho digestivo ou outro médico guia um robô que manipula os instrumentos cirúrgicos. Esse procedimento é extremamente seguro e eficaz, proporcionando mais controle e precisão.

Também vale destacar que a hernioplastia é realizada em ambiente hospitalar com anestesia geral. Além disso, o período pós-operatório da hérnia epigástrica exige uma série de cuidados, como:

– Manter uma alimentação balanceada;

– Garantir a higiene adequada da área operada;

– Evitar dirigir por pelo menos sete dias;

– Abster-se de exercícios físicos e de carregar peso por, no mínimo, 30 dias ou pelo período que o médico considerar necessário para uma recuperação adequada.

Cuidados pré-operatórios na cirurgia de hérnia epigástrica

O sucesso da cirurgia de hérnia epigástrica depende, em grande parte, dos cuidados adotados antes do procedimento. Essas medidas pré-operatórias visam preparar o paciente para as condições ideais da realização da intervenção, minimizar riscos e garantir uma recuperação mais tranquila e eficiente. 

A seguir, separamos os principais cuidados recomendados pelo cirurgião geral ou cirurgião do aparelho digestivo, também chamado de gastrocirurgião.

1. Avaliação clínica e exames

É essencial que o paciente passe por uma avaliação médica completa, que pode incluir exames de imagem, como ultrassonografia ou tomografia computadorizada. Esses exames ajudam o cirurgião geral ou gastrocirurgião a identificar a gravidade da hérnia e possíveis fatores de risco.

2. Adaptação de hábitos e medicações

Antes da cirurgia, é fundamental adotar medidas que assegurem uma recuperação tranquila e eficaz, como ajustes no estilo de vida e nas medicações, sempre sob a orientação do cirurgião geral ou do cirurgião do aparelho digestivo responsável. Então, considere:

– Suspender o tabagismo: isso porque fumar pode prejudicar a cicatrização e aumentar o risco de complicações durante a recuperação.

– Ajustar os medicamentos de uso contínuo: o médico pode recomendar a suspensão ou alteração de medicamentos que interfiram na cirurgia, como anticoagulantes.

– Evitar bebidas alcoólicas e má alimentação: esses hábitos são prejudiciais e devem ser interrompidos, a fim de evitar complicações.

3. Redução das atividades físicas intensas

É importante evitar esforços excessivos ou atividades físicas pesadas, para não agravar a hérnia antes do procedimento.

4. Jejum pré-operatório

O paciente deve seguir rigorosamente as orientações de jejum fornecidas pelo médico responsável, com o intuito de evitar riscos durante a anestesia.

5. Uso de cinta abdominal ou malha elástica

Em alguns casos, pode ser aconselhada a utilização de uma cinta abdominal ou malha elástica, visando dar suporte à região afetada e atenuar o desconforto antes da intervenção cirúrgica.

6. Acompanhamento de sintomas

O paciente deve estar atento a qualquer agravamento das dores ou desconforto na região da hérnia e informá-lo imediatamente ao seu médico de confiança, seja um cirurgião geral ou gastrocirurgião.

Cuidados pós-operatórios na cirurgia de hérnia epigástrica

O período pós-operatório é primordial para garantir o sucesso da recuperação depois da cirurgia de hérnia epigástrica. Embora o procedimento seja considerado simples e com baixo risco de complicações, seguir corretamente as instruções médicas é fundamental para evitar problemas durante a cicatrização e garantir uma recuperação bem-sucedida.

Portanto, abaixo estão os principais cuidados indicados no pós-operatório:

– Evitar os esforços físicos: não carregar peso ou realizar exercícios físicos por, pelo menos, 30 dias. A retomada deve ser feita gradualmente, conforme a liberação médica.

– Evitar dirigir: por cerca de sete dias após o procedimento ou até que o desconforto diminua.

– Atenção à alimentação: manter uma dieta balanceada, com alimentos ricos em fibras, é essencial para evitar constipação intestinal e esforço ao evacuar, o que poderia comprometer a cicatrização.

– Cuidado com a região operada: manter a área da cirurgia limpa e seca, com o objetivo de prevenir infecções. Caso surjam sinais, como vermelhidão, sangramento ou secreções, é importante comunicar o ocorrido ao médico imediatamente.

– Uso de medicamentos: o paciente deve seguir rigorosamente as orientações médicas quanto ao uso de analgésicos e anti-inflamatórios prescritos para controlar a dor e o processo inflamatório.

– Monitoramento de complicações: qualquer sintoma anormal, como febre, dores intensas ou sinais de infecção, deve ser relatado ao cirurgião o quanto antes.

Seguindo essas orientações, o paciente poderá retornar gradativamente às suas atividades diárias, com segurança e conforto, garantindo uma boa recuperação após o tratamento cirúrgico.

A hérnia epigástrica pode voltar após a cirurgia?

Apesar de a cirurgia corretiva da hérnia epigástrica ser eficaz, existe a possibilidade de a condição retornar. Quando isso ocorre, é denominada hérnia recidivante ou recidivada e, geralmente, está associada aos mesmos fatores que levaram ao aparecimento da condição inicialmente, como fraqueza da parede abdominal, esforços físicos excessivos ou predisposição genética.

Assim, para corrigir o problema, é necessário um novo procedimento cirúrgico. Entretanto, com os avanços na medicina, esses casos se tornaram menos frequentes. 

Atualmente, os cirurgiões utilizam técnicas modernas, como a aplicação de uma tela cirúrgica para reforçar a parede abdominal enfraquecida, reduzindo significativamente o risco de recorrência. No passado, essa prática não era comum, o que facilitava o reaparecimento da hérnia.

Graças a essas inovações, o procedimento cirúrgico tornou-se mais seguro e eficiente, proporcionando resultados duradouros e minimizando as chances de complicações futuras.

Principais dúvidas sobre o tema

A hérnia em questão pode gerar diversas dúvidas entre pacientes que convivem com a condição ou se preparam para a cirurgia. 

Adiante, respondemos às perguntas mais frequentes sobre o assunto.

1. Onde dói a hérnia epigástrica?

A dor da hérnia epigástrica costuma ocorrer na linha média do abdômen, entre o umbigo e o esterno. Por isso, o desconforto pode se intensificar durante determinadas atividades, como levantar peso, tossir, espirrar ou realizar qualquer esforço que pressione a região abdominal.

Nesse quadro de saúde, outros sinais mais comuns incluem:

  • Abaulamento visível ou inchaço na região acima do umbigo;
  • Dor ou desconforto local, que piora com esforços físicos;
  • Endurecimento da área afetada;
  • Sensação de peso ou pressão abdominal;
  • Náuseas e vômitos, que podem indicar complicações mais graves, como encarceramento;
  • Prisão de ventre ou alterações no trânsito intestinal, em casos mais avançados.

Em situações críticas, quando a hérnia fica presa ou estrangulada, os sintomas podem evoluir para dor intensa, febre e inflamação, exigindo atendimento médico urgente.

2. O que esse tipo de hérnia pode causar?

A falta de tratamento dessa condição pode levar a complicações sérias, tais como:

  • Encarceramento: quando o conteúdo herniado fica preso na parede abdominal, causando dor intensa e risco de obstrução intestinal.
  • Estrangulamento: uma emergência médica em que o suprimento sanguíneo para o conteúdo herniado é interrompido, podendo levar à necrose do tecido.
  • Infecção e inflamação: a região pode apresentar dor localizada, inchaço e outros sinais de inflamação.

3. Quem tem hérnia epigástrica, o que não pode comer?

Na realidade, não existem restrições alimentares específicas para quem tem hérnia epigástrica. Contudo, é recomendada uma dieta leve e equilibrada, com alimentos ricos em fibras, para evitar constipação intestinal. 

Além disso, alimentos que causam gases ou distensão abdominal podem intensificar o desconforto local e, portanto, devem ser consumidos com moderação.

Alimentação cirurgia de hérnia epigástrica - site Dr. Luiz Gustavo Oliveira cirurgião geral e bariátrico do Rio de Janeiro - RJ

4. O que posso comer após a cirurgia desse tipo de hérnia?

Depois da intervenção cirúrgica, a alimentação é leve no dia do procedimento, retornando à normalidade no dia seguinte. Também manter uma dieta balanceada e rica em fibras é importante para evitar constipação e garantir um bom processo de recuperação.

Portanto, seguir essas orientações e buscar o acompanhamento médico adequado são passos essenciais para evitar complicações e assegurar o bem-estar do paciente.

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